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Pesquisadores Comunitários fortalecem diagnóstico socioambiental e cultural de territórios tradicionais
Produzir um diagnóstico sobre a realidade socioeconômica, ambiental e cultural das comunidades tradicionais de Angra dos Reis (RJ), Paraty (RJ) e Ubatuba (SP), em parceria com os próprios moradores, é um dos objetivos do Projeto Povos (Projeto de Caracterização de Territórios Tradicionais).
Executado pelo Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT), em parceria com o Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS/Fiocruz) e a Fundação de apoio à Fiocruz (Fiotec), o Projeto conta com uma equipe de pesquisadores comunitários que utilizam conhecimentos tradicionais para apoiar o diagnóstico dos territórios em que vivem.
O Projeto Povos (Projeto de Caracterização de Territórios Tradicionais) é um projeto exigido pelo processo de Licenciamento Ambiental Federal das atividades da Petrobras, conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O time de pesquisadores comunitários é formado por pessoas indígenas, quilombolas e caiçaras. Eles atuam na produção de conhecimento sobre os impactos socioambientais da cadeia de petróleo e gás natural na região, fortalecendo a conexão dos resultados da caracterização territorial com as demandas comunitárias.
Entre os nomes à frente do trabalho está Ivanildes Kerexu, do povo Guarani Mbyá, moradora da Aldeia Rio Bonito, uma das aldeias da Terra Indígena da Boa Vista, localizada em Ubatuba (SP). Ela é uma das responsáveis em conduzir as articulações locais que alimentam os produtos do projeto. “Faço entrevista, roda de conversa junto com os indígenas, caiçaras e quilombolas”, explica.
Além das atividades de campo, Ivanildes destaca o aprendizado no uso de ferramentas tecnológicas, como GPS e gravadores, para registrar dados das roças tradicionais e demais áreas ocupadas pelas comunidades. “São coisas que parecem simples, mas para mim, que sou de comunidade tradicional e tenho muita dificuldade em entender tecnologia, a experiência foi muito legal, porque aprendi a manusear o GPS e outras ferramentas”, conta.
Resultados refletem vivências socioculturais e desafios
A atuação direta dos pesquisadores comunitários resultou na produção de mapas através da cartografia social, método que utiliza o conhecimento das comunidades tradicionais na criação de mapas representativos de suas realidades. Para Ivanildes, o trabalho fortalece a luta por direitos e visibilidade: “Os mapas são voltados para mostrar nossa realidade, onde estamos, nossa cultura e tradição”.
Além disso, foram produzidas publicações com diagnósticos sobre o território e vídeos documentários sobre as vivências culturais da região e desafios enfrentados.
Conheça o vídeo mais recente produzido pelo Projeto Povos, clique aqui.