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O mapa sonoro da Bacia de Santos: como o PMPAS-BS monitora o ruído submarino

Medida condicionante acompanha os níveis de ruído gerados por atividades humanas, subsidia a proteção da fauna marinha e fornece dados inéditos para a ciência.

01/04/2026 | Notícias
por: Elaborado pela equipe do Informa Petróleo.

Medida condicionante acompanha os níveis de ruído gerados por atividades humanas, subsidia a proteção da fauna marinha e fornece dados inéditos para a ciência.

PMPAS avalia e quantifica a poluição sonora gerada por atividades humanas. Créditos: Comunica Bacia de Santos.

Na nova edição da série especial do Informa Petróleo “Por dentro dos Projetos Ambientais”, que detalha as condicionantes do licenciamento ambiental federal das atividades offshore, vamos conhecer o Projeto de Monitoramento da Paisagem Acústica Submarina da Bacia de Santos (PMPAS-BS). 

Iniciado pela Petrobras em novembro de 2015, o PMPAS-BS completou dez anos de atuação em 2025. O projeto é uma medida condicionante exigida pelo licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para as atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural. 

O objetivo central é caracterizar a paisagem acústica e fornecer bases técnicas sólidas para a avaliação dos impactos relacionados às atividades da indústria petrolífera sobre a biota marinha. A área de atuação do projeto ganha destaque por abranger uma faixa marítima de aproximadamente 251 mil km², cobrindo toda a região do Polo Pré-Sal e as rotas de navegação preferenciais localizadas entre o litoral do Rio de Janeiro e de Santa Catarina. 

A composição da paisagem acústica e a fauna marinha 

A paisagem acústica submarina é formada por uma rica mistura de sons. Existe a chamada geofonia, que abrange os ruídos físicos e naturais do ambiente, como o impacto das ondas e das chuvas; a biofonia, referente aos sons biológicos emitidos por peixes e invertebrados; e a antropofonia, caracterizada pelos ruídos resultantes da ação humana, como o tráfego de embarcações comerciais, pesqueiras e militares, além das operações industriais. 

Muitas espécies, principalmente os mamíferos marinhos (cetáceos), como baleias e golfinhos, dependem do som para se comunicar, orientar-se e localizar alimento. O monitoramento contínuo permite quantificar essa poluição sonora de origem humana e seus impactos sobre os cetáceos, além de proporcionar estudos sobre a presença de animais marinhos. 

Para realizar esse monitoramento e conseguir captar toda essa diversidade de sons em uma área tão extensa, o PMPAS-BS precisa de verdadeiros ouvidos debaixo d'água. Por isso, a operação utiliza uma rede de equipamentos que mescla dispositivos ancorados no fundo do mar, como os observatórios submarinos (OSs) e as linhas de fundeio instrumentadas (LFIs), com tecnologias móveis, a exemplo de veículos submarinos autônomos (conhecidos como gliders) e equipamentos que medem os sinais do som na água acompanhando o movimento das correntes, chamados de perfiladores acústicos. Além disso, o projeto conta com um sistema de modelagem capaz de gerar mapas de distribuição de ruído, com base na presença e tipo de embarcações, bem como variáveis ambientais que influenciam a propagação do som, como batimetria, tipo de sedimento de fundo, temperatura e salinidade da água. 

Em uma década, esse aparato tecnológico construiu um acervo robusto. Já foram gravadas 203.258,6 horas de dados acústicos captados pelos gliders, observatórios e linhas de fundeio, além de 5.020,3 horas de sinais analisados pelos perfiladores.  

Resultados consolidados: estabilidade sonora em nove anos 

Dados presentes no 9º Relatório Técnico, que analisou o período de 2016 a 2024, apontam que cada área da Bacia de Santos possui sua própria assinatura acústica. Na região oceânica com maior volume de atividades de exploração e produção (classificada no projeto como Região R1), registrou-se um aumento de ruído entre 13 e 22 decibéis (dB) em comparação com áreas sem atividades da indústria. 

Contudo, a análise histórica de nove anos comprovou uma estabilidade no cenário acústico da bacia: não há tendência de aumento contínuo nos níveis de ruído geral ao longo do tempo. O modelo acústico apontou, inclusive, uma redução do ruído entre 2016 e 2019, seguida por uma estabilização mantida até o final de 2024. Já nas zonas costeiras, a acústica permanece fortemente impactada pelo fluxo portuário, embarcações de pequeno porte, som natural das ondas e sons de organismos costeiros. 

Uma das inovações incorporadas nas fases recentes do projeto foi a avaliação do "decaimento sonoro" gerado por fontes sísmicas. Utilizando gliders dedicados exclusivamente a essa tarefa, o PMPAS-BS monitorou 19 campanhas sísmicas em campos como Tupi-Iracema, Itapu, Búzios e Sépia. Esse levantamento permitiu medir exatamente como o som originado pelos canhões de ar perde intensidade conforme a distância da fonte aumenta, comprovando também que a variação do ruído é muito pequena entre as diferentes faixas de profundidade (de 0 a 1.000 metros) quando há afastamento da fonte. 

Avanço científico e parcerias estratégicas 

O projeto já forneceu base de dados para 45 trabalhos científicos, incluindo artigos, teses e dissertações. Por tratar-se de informação sensível para a segurança nacional nas áreas costeiras, o processamento de dados é realizado em convênio com o Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), parceria que resultou inclusive no desenvolvimento de um hidrofone com tecnologia 100% nacional. 

Ciclos de execução e próximos passos 

Para garantir melhoria contínua, o PMPAS-BS é estruturado em ciclos. O 1º ciclo operou de novembro de 2015 a dezembro de 2021. O 2º ciclo, iniciado em março de 2023, otimizou as tecnologias focando no uso simultâneo de múltiplos gliders e no remanejamento de observatórios fixos. O 3º ciclo está previsto para começar em 2027, e terá como meta refinar ainda mais a modelagem acústica para responder a questões operacionais diretas e ampliar a obtenção de dados em regiões de elevado interesse biológico. 

Consulte mais informações sobre o PMPAS-BS 

Comunica Bacia: https://comunicabaciadesantos.petrobras.com.br/projeto-de-monitoramento-da-paisagem-acustica-submarina-pmpas- 

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