Notícias e Eventos
Rede Observação lança podcasts e boletins informativos produzidos pelas comunidades tradicionais
Materiais estão disponíveis para o público no perfil do PEA Rede Observação nas plataformas digitais Spotify, YouTube e site. Produções foram construídas em 2025 com o apoio do eixo de Comunicação Popular.
12/12/2025 | Notícias
por: Rede Observação
Catadores de Guaiamum do Chavão em Tamoios, no segundo distrito de Cabo Frio – RJ. Créditos: Rede Observação - Comunicação Institucional.
O Projeto de Educação Ambiental (PEA) Rede Observação lançou, no dia 2 de dezembro, uma série de podcasts e boletins informativos produzidos pelas comunidades tradicionais que participam das ações educativas do projeto em 11 municípios, sendo 9 no estado do Rio de Janeiro e 2 no Espírito Santo. Os materiais, desenvolvidos ao longo de 2025 com apoio do eixo de Comunicação Popular, serão compartilhados durante as reuniões das devolutivas que acontecem entre 1º e 11 de dezembro nos territórios. Eles também estão disponíveis no Spotify, no Youtube e no site do Rede Observação.
Os boletins informativos e podcasts foram construídos em um processo participativo de comunicação popular junto a educadores ambientais, articuladores locais, agricultores familiares, quilombolas, marisqueiras e pescadores artesanais. A proposta é registrar, em áudio e texto, as pautas que os grupos vêm identificando e acompanhando durante o trabalho realizado também pelos eixos de Teatro do Oprimido, Pesquisa Social e Educação Ambiental.
“O que mais chama a atenção é como os grupos vão se apropriando das ferramentas de comunicação popular, e os resultados que são alcançados nos materiais e no uso deles pelas comunidades. Inicialmente muitos não querem se colocar, ou ficam tímidos para fazer um depoimento para o podcast, mas aos poucos vão adquirindo confiança e se mostram com desenvoltura e articulados. Muitos passam a utilizar os materiais como ferramenta para dialogar com outros moradores e outros setores da sociedade, como apoiadores, e também o poder público.”
“Neste sentido, identificamos indivíduos do grupo com potenciais comunicativos surpreendentes, que passam a ter autonomia para opinar e contribuir com as discussões. Ao mesmo tempo em que alinhamos as demandas prioritárias e os principais pontos de debate, também amplificamos as vozes e surgem lideranças comunitárias neste processo”, afirmou o Educador Ambiental do Eixo de Comunicação Popular, Murilo Marques.
A partir das orientações dos educadores ambientais, os articuladores locais desempenharam um trabalho importante nessa construção coletiva desde o começo. Eles acompanharam e apoiaram o grupo na elaboração dos textos, no registro das fotos, na gravação dos depoimentos e entrevistas dos podcasts.
No caso dos podcasts, os educadores apresentaram um modelo de roteiro para organizar tarefas, responsáveis e falas. Já os boletins seguiram uma estrutura de pautas, focando nas principais ações que o grupo está realizando. Os educadores contribuíram na edição final dos textos, com pequenos ajustes, mantendo a originalidade da forma como foram escritos pelos grupos.
Em seguida, foi feita a montagem em um programa online e gratuito para edição gráfica. Os articuladores também foram orientados sobre como utilizar esse programa para diagramar o boletim, com apoio dos educadores. No caso do Podcast, os educadores editaram e montaram os áudios finais adicionando músicas e efeitos sonoros.
Nesse processo coletivo de criação, os materiais finalizados ganham sentido a partir de sua distribuição em espaços públicos estratégicos, como conselhos, audiências e instituições ligadas ao poder público. Com esse intuito, os educadores do eixo trabalham com o grupo um planejamento de comunicação que identifica o público-alvo do material.
“Buscamos imprimir um processo pedagógico e metodológico que eles possam aplicar também para outras situações que tenham que chegar a posições coletivas. É papel dos educadores provocar o grupo para que se coloquem e participem. As comunidades tradicionais e o povo em geral não são estimulados no dia a dia a opinar e participar coletivamente sobre as decisões em seus espaços de moradia e trabalho.”
“Por isso, inicialmente são apresentados outros materiais de comunicação popular elaborados por diversos movimentos sociais e coletivos, como jornais, panfletos, revistas, sites, programas de rádios comunitárias etc. Mostrando como estes movimentos, formados por comunidades e pessoas semelhantes aos grupos que trabalhamos, se organizaram para comunicar suas lutas e conquistas, rompendo a bolha da desinformação que a mídia hegemônica impõe sobre a população”, contou o Educador Ambiental do eixo de Comunicação Popular, Gabriel Amorim.
Todo o processo de construção é coletivo e as decisões buscam o consenso ou seguem a posição da maioria. O grupo define desde os títulos dos materiais, as cores, as fotos e até as pautas que acham importantes para o Boletim Informativo e o Podcast.
“A comunicação popular cumpre um papel também de contribuir na formação e na auto-organização dos grupos e comunidades, o que é fundamental na luta por seus direitos sociais diante dos impactos da indústria e cadeia de produção de óleo e gás e para terem protagonismo na gestão ambiental de seus municípios. Pois todo o processo depende da organização coletiva para avançar”, completou Gabriel Amorim.
Os quilombolas, agricultores familiares e pescadores artesanais são os grupos prioritários do PEA Rede Observação. Com a metodologia da educação ambiental, o PEA Rede Observação é uma medida de mitigação exigida pelo licenciamento ambiental federal conduzida pelo Ibama para as atividades de produção e escoamento de petróleo e gás natural da PRIO.
Outras Notícias e Eventos
Últimas notícias
Iniciativa focada no combate aos petrechos de pesca perdidos e na promoção da Economia Circular Azul conclui fase de mapeamento de petrechos de pesca no entorno da Ilha Anchieta.
Após três anos de atividades dedicadas à gestão de resíduos marinhos e à preservação da biodiversidade,…
Ler notícia