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PEA Rendas do Petróleo lança livro com metodologias desenvolvidas ao longo de cinco anos do projeto

Publicação compila metodologias e experiências que ampliam o debate sobre rendas petrolíferas e políticas públicas.

19/03/2026 | Notícias
por: Matheus Mello, com edição de Karolina Gomes, jornalistas do Informa Petróleo.

Publicação compila metodologias e experiências que ampliam o debate sobre rendas petrolíferas e políticas públicas.

Aplicação da atividade “Bolão/Bexigão do Cifrão”, utilizada para a construção do diagnóstico da política pública de saúde no município de Niterói (RJ). Créditos: PEA Rendas do Petróleo.

No último dia 5 de março, o Projeto de Educação Ambiental Rendas do Petróleo (PEA Rendas) lançou o livro A Arte de Tecer Participação: Legado Metodológico do PEA Rendas do Petróleo, que compila as principais metodologias desenvolvidas ao longo de cinco anos de atuação. A obra marca o encerramento do projeto, iniciado em 2021. 

O livro conta com práticas executadas em campo e aprendizados construídos durante a trajetória do PEA, aproximando a sociedade do debate sobre rendas petrolíferas. As ações descritas no livro englobaram nove municípios da área de influência de empreendimentos de produção de petróleo e gás natural da Petrobras na Bacia de Santos impactados pelas rendas advindas da produção de petróleo e gás natural: Caraguatatuba, Ilhabela, Iguape, Ilha Comprida e Cananéia, localizados no estado de São Paulo, e Maricá, Niterói, Guapimirim e Paraty, no Rio de Janeiro.  

Construção de metodologias participativas 

Uma das marcas do PEA Rendas do Petróleo foi a criação de metodologias participativas capazes de traduzir temas técnicos, como orçamento público e políticas municipais, para o cotidiano da população. Segundo a coordenadora executiva do projeto, Isabela Mariz, a necessidade de gerar engajamento real guiou o trabalho de equipe:   

“A gente se dividiu e começou a pensar em metodologias que fossem interativas, interessantes, participativas e que o público tivesse interesse em se envolver com o projeto”, explica Isabela.  

Para o profissional de socioeconomia da Petrobras, Sérgio França, a obra é resultado de um trabalho de coordenação, que identificou a necessidade do registro para memória e partilha das experiências metodológicas do PEA Rendas. Assim, essa e outras ações, que antes não constavam no escopo do projeto, foram incorporadas em um processo de revisão conjunta entre a operadora de petróleo, o órgão licenciador e a equipe executora.   

“Eu vejo esse processo como uma continuidade dessa integração que houve lá no início para desenvolver o plano de trabalho, com Ibama, Petrobras e outros PEAs trabalhando juntos. Essas metodologias, algumas vindas desses outros PEAs, foram usadas, reformuladas e adaptadas para o nosso território com bastante sucesso”, afirma Sérgio.  

Entre as dinâmicas detalhadas no livro estão atividades como o “Varal das Artes” e o “Cine Interação”, que funcionam como portas de entrada lúdicas para discutir pautas ligadas à produção de petróleo e gás natural e seus impactos socioambientais. Já metodologias como “Bolão/Bexigão do Cifrão” e “Caminho dos Royalties” foram criadas para demonstrar como os recursos públicos são planejados e aplicados. 

“A gente trabalha com temas que são muito densos, como rendas petrolíferas, orçamento público e política pública. Então a gente precisa pensar em formas para atrair as pessoas, especialmente o público jovem, para terem interesse em discutir esses temas”, conclui Isabela. 

 Um livro feito a muitas mãos  

As metodologias apresentadas no livro são baseadas em uma abordagem de educação ambiental crítica, que compreende o meio ambiente como resultado de relações sociais, políticas e econômicas. Nesse contexto, discutir royalties do petróleo significa também debater sobre desenvolvimento, desigualdade e participação social. 

Essa lógica de construção coletiva também marcou o processo de produção da obra. Para Ana Maria Masson, comunicadora responsável pela diagramação, o livro registra os aprendizados acumulados ao longo do projeto e reflete o trabalho conjunto da equipe. 

“O conteúdo é um projeto gráfico construído a muitas mãos, teve ideia de muita gente, coleta de fotografias, vários fotógrafos e pessoas fazendo essa busca de arquivo das imagens”, comenta Ana Maria. 

Para a coordenadora pedagógica do PEA Rendas do Petróleo, Emanuelle Spironello, registrar essas experiências é uma forma de ampliar o alcance e permitir que continuem inspirando novas iniciativas: “A gente foi olhando o que se repetia nos territórios e o que fazia as pessoas ficarem. Isso foi agregando experiências e o método foi se transformando na prática”, pontua Emanuelle. 

Um novo ciclo 

Com o encerramento do PEA Rendas do Petróleo em março, as ações de formação e participação social no licenciamento ambiental voltadas à incidência nos orçamentos públicos entram agora em uma nova etapa, no âmbito do Plano Macrorregional de Gestão de Impactos Sinérgicos das Atividades Marítimas de Produção e Escoamento de Petróleo e Gás Natural (Plano Macro). 

Neste ano, o Planeja+ dará continuidade a esse processo, com foco na formação de jovens lideranças e na ampliação da participação popular qualificada na gestão pública, abrangendo, além da Bacia de Santos, as de Campos e Espírito Santo. 

A proposta é fortalecer a transparência e o planejamento nos municípios impactados pelas rendas petrolíferas, deixando como legado uma cultura de cidadania ativa e acompanhamento das políticas públicas. 

O PEA Rendas do Petróleo é uma ação do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para as operações de produção e escoamento de petróleo e gás natural da Petrobras na Bacia de Santos.  

Para acessar o e-book A Arte de Tecer Participação: Legado Metodológico do PEA Rendas do Petróleo, clique aqui

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