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PMPAS-BS completa dez anos de monitoramento da paisagem acústica submarina na Bacia de Santos

Exigência do Licenciamento Ambiental Federal, projeto permite avaliar a poluição sonora gerada por atividades humanas.

21/01/2026 | Notícias
por: Comunica Bacia de Santos – Petrobras.

Exigência do Licenciamento Ambiental Federal, projeto permite avaliar a poluição sonora gerada por atividades humanas.

PMPAS-BS promove caracterização de sons do ambiente marinho. Créditos: Comunica Bacia de Santos.

Você já parou para pensar que, além do barulho das ondas, o oceano abriga um mundo de sons naturais ou provocados pelo ser humano? Há dez anos, o Projeto de Monitoramento da Paisagem Acústica Submarina da Bacia de Santos (PMPAS-BS), executado pela Petrobras como parte das exigências do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), reúne dados fundamentais para entender esse universo submerso e avaliar os impactos sobre a biota marinha.  

De forma ininterrupta, o PMPAS-BS promove desde novembro de 2015 a caracterização dos sons que formam o ambiente submarino e o monitoramento do nível de ruído submarino na Bacia de Santos, em especial na região do Polo Pré-Sal e nas rotas de navegação preferenciais que servem à região.  

O projeto permite avaliar e quantificar a poluição sonora gerada por atividades humanas, como tráfego marítimo e seus impactos na comunicação e no comportamento de cetáceos, além de proporcionar estudos sobre a presença de animais marinhos.  

A coleta de dados é realizada por meio de diversos tipos de equipamentos, como perfiladores acústicos, gliders, linhas de fundeio instrumentadas e observatórios submarinos costeiros. Em dez anos de projeto, foram gravadas 203.258,6 horas de dados acústicos para gliders, OSs e LFIs, enquanto os perfiladores analisaram 5.020,3 horas de sinal.  

Ângela Spengler, uma das coordenadoras do PMPAS-BS, explica que diferentes regiões possuem níveis sonoros e composição da paisagem acústica próprios. “Os maiores níveis de ruído observados na região oceânica da Bacia de Santos ficaram na área onde ocorre o maior volume de atividades de exploração e produção de óleo e gás, com um aumento entre 13 e 22 dB, dependendo da frequência analisada, quando comparado com outras regiões mais silenciosas. Não se observa uma tendência clara nos níveis de ruído ao longo dos anos, com algumas oscilações, dependendo da frequência, indicando estabilidade dos níveis de ruído no período considerado (2016-2024). A paisagem acústica de zonas costeiras sofre influência de sons diversos provenientes de embarcações de pequeno porte, fluxo de embarcações de grande porte em zonas portuárias, sons relacionados à ação das ondas do mar e da chuva e sons de organismos costeiros, principalmente peixes, invertebrados bentônicos e alguns cetáceos.” 

Contribuição fundamental para ampliar o conhecimento científico  

O PMPAS-BS contribui significativamente para o avanço da ciência, oferecendo dados inéditos sobre a dinâmica sonora do ambiente marinho, fortalecendo o trabalho de pesquisadores e orientando a construção de estratégias mais eficazes de conservação dos ecossistemas.  

Em dez anos, o projeto forneceu dados para a produção de dez trabalhos científicos, entre artigos, teses de doutorado, dissertações de mestrado e trabalhos de conclusão de curso, além de 35 resumos para apresentação em congressos.  

A cooperação entre a Petrobras e o Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) tem sido fundamental para o PMPAS-BS, além de proporcionar o desenvolvimento do hidrofone nacional, importante para fortalecer a soberania nacional em áreas estratégicas, como defesa e pesquisa marinha.  

Integração com o Projeto de Monitoramento de Cetáceos na Bacia de Santos (PMC-BS)  

Segundo Ângela, outro ponto relevante do trabalho realizado no PMPAS-BS é a integração com o Projeto de Monitoramento de Cetáceos na Bacia de Santos (PMC-BS). Foram disponibilizadas mais de 700h de gravação de vocalizações de cetáceos para o PMC-BS, que são importantes para complementar suas gravações rotineiras, principalmente, para o estudo de misticetos (baleias verdadeiras ou baleias com barbatanas bucais), uma vez que a gravação feita naquele projeto tem a faixa de baixa frequência contaminada pelo ruído do navio que reboca o arranjo de hidrofones. “O PMPAS-BS disponibiliza também dados da paisagem acústica e os níveis de ruído medidos pelos gliders do monitoramento específico da sísmica, que são importantes para a avaliação dos possíveis impactos das atividades de E&P sobre os cetáceos”, ressalta.  

Nova fase do PMPAS-BS  

O PMPAS-BS foi planejado para ser executado em ciclos de implantação, de forma a possibilitar a eficácia e a eficiência dos métodos de aquisição de dados com vistas a proposição de melhorias decorrentes do aprendizado com a execução, além da incorporação de novas tecnologias ou metodologias que sejam desenvolvidas ao longo de um ciclo.  

A próxima etapa contempla o 3º ciclo do projeto, que está previsto para iniciar em 2027, com foco no melhoramento da modelagem acústica para o monitoramento das possíveis alterações nos níveis de ruído ao longo dos anos, com medição de ruídos para responder questões específicas, como sobre o impacto da sísmica e da perfuração, além de obtenção de dados em regiões de interesse biológico. 

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