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PEA Rede Observação realiza Fórum Anual com comunidades tradicionais para debater a mitigação dos impactos da cadeia produtiva de óleo e gás na Bacia de Campos

Encontro alternou atividades ligadas a dinâmicas de pertencimento, apresentações dos eixos metodológicos e uma cartografia que expôs conflitos e resistências vividos nos territórios.

11/05/2026 | Notícias
por: PEA Rede Observação.

Encontro alternou atividades ligadas a dinâmicas de pertencimento, apresentações dos eixos metodológicos e uma cartografia que expôs conflitos e resistências vividos nos territórios.

Participantes do PEA Rede Observação. Créditos: PEA Rede Observação.

O Fórum Anual 2026 do Projeto de Educação Ambiental (PEA) Rede Observação, realizado nos dias 27, 28 e 29 de março, em Armação dos Búzios (RJ), contou com a participação da equipe técnica e dos onze grupos prioritários que fazem parte do projeto. Ao longo da programação, o encontro promoveu a troca de experiências, informações e saberes entre os participantes.  

As apresentações foram organizadas a partir dos resultados obtidos ao longo de um ano de atuação dos eixos metodológicos e dos articuladores nos territórios. O encontro evidenciou o protagonismo de pescadores artesanais, agricultores familiares, quilombolas e marisqueiras e a participação efetiva dessas comunidades tradicionais na gestão ambiental pública.  

O eixo de Educação Ambiental (EA) construiu um percurso de apresentação com base na reflexão crítica sobre as vivências e o fortalecimento da organização comunitária. Ao longo de 2025 os comunitários percorreram um caminho pedagógico estruturado a partir das etapas de mobilização, escuta ativa, reflexão e formação, organização comunitária e realização de articulações e parcerias. Para evidenciar as pautas dos grupos, durante este encontro foi elaborado um mural de reivindicações, composto por fotografias e legendas, que permaneceu em exposição nos dias de atividades. Também foram apresentados avanços e conquistas das comunidades. 

O eixo de Pesquisa Social (PS), que investiga os impactos da cadeia produtiva de óleo e gás sobre os territórios e modos tradicionais de vida dos sujeitos da ação educativa do PEA Rede Observação, abordou o lugar das comunidades tradicionais em um mundo em constante mudança. Durante um processo participativo com os articuladores e com os grupos, o eixo identificou e discutiu os impactos percebidos, construiu, junto a cada comunidade, uma árvore de impactos da indústria de petróleo e gás e, no decorrer de sete encontros, promoveu debates sobre territórios tradicionais, a história da indústria do petróleo no Brasil, os impactos socioambientais e a caracterização dos bens e serviços públicos nos territórios. 

Já o eixo de Comunicação Popular (CP) desenvolveu a atividade “Vozes do Território”, na qual os participantes, divididos por município, criaram palavras de ordem a partir de suas lutas e os registraram em cartazes para depois simular um ato social ao pronunciar em voz alta e coletivamente. Também foi apresentado o papel da comunicação popular como instrumento de mobilização, divulgação das lutas, reivindicações e conquistas dos setores organizados do povo, destacando a possibilidade de utilização de diferentes formatos conforme as estratégias adotadas: materiais impressos (boletins informativos e panfletos), áudios (podcasts comunitários) e outros suportes, como cartazes, faixas, músicas e palavras de ordem. 

As cenas construídas a partir do eixo de Teatro do Oprimido (TO) foram apresentadas pelos grupos de Rio das Ostras (RJ), Presidente Kennedy (ES) e Campos dos Goytacazes (RJ). Em um segundo momento, os educadores de TO apresentaram, por meio de slides, os avanços das cenas e o desenvolvimento dos grupos desde o início do PEA Rede Observação. 

A Comunicação Institucional apresentou um balanço do projeto, com destaque para as estratégias adotadas em 2025. Entre os pontos abordados estiveram a apresentação do vídeo curto do fórum e das devolutivas, ambos de 2025, o processo de estruturação da área, os registros da participação dos grupos em espaços de decisão, os dados das redes digitais, e o papel da comunicação no contexto de mitigação de um projeto de educação ambiental. 

A construção da área tem como base a participação em reuniões de orientação metodológica, o envolvimento nas formações do Plano de Trabalho e a escuta ativa dos articuladores locais. A estratégia prioriza a qualidade dos conteúdos, o protagonismo dos atores sociais e a definição de pautas alinhadas às demandas dos grupos. Essa estrutura direciona o protagonismo para as comunidades tradicionais a partir do processo educativo conduzido pelos eixos metodológicos, fortalece a luta e a memória coletiva e publiciza a partir do grupo.  

Atividade pedagógica ‘Mapa Vivo de Conflitos e Resistências’  

A atividade pedagógica teve como proposta a criação de um mapa vivo de conflitos e resistências, com o objetivo de construir coletivamente uma leitura crítica, local e regional sobre a relação entre os impactos da indústria de petróleo e gás com os conflitos socioambientais enfrentados pelas comunidades participantes do PEA RedeObservação em seus territórios. A atividade articulou corpo, território e narrativa, permitindo que os participantes não apenas falassem sobre os impactos e sua relação sobre os conflitos, mas também os representassem, analisassem e comunicassem coletivamente. O formato de “mapa vivo” favorece a visualização das conexões regionais da Bacia de Campos e reforça a dimensão política da Educação Ambiental Crítica. 

‘Amanhecer os Quintais’, por Rodrigo Lima 

As dinâmicas foram estruturadas como um processo pedagógico voltado à construção de confiança, presença e pertencimento entre os participantes, com base em jogos teatrais e estímulos à imaginação, com destaque para a atividade “Amanhecer os Quintais”, responsável por mobilizar memórias e vivências dos participantes, que representaram seus territórios por meio de cartografias afetivas. As produções foram aprofundadas com a inclusão de novas camadas visuais e relatos, evidenciando identidades e conexões entre os grupos. 

Depoimentos 

Edina Vanuza Silva - Agricultora Familiar / Rio da Ostras (RJ).

"Eu gostei de tudo. Conheci pessoas com lutas parecidas com as minhas, e outras até maiores, mas percebi que todos tinham o mesmo propósito. O mais incrível é que, além do conhecimento, as pessoas se importam umas com as outras. Foi a minha primeira vez, sou muito grata por tudo. Que venham os próximos!" 

Fabiana Viana Quintanilha - Pescadora Artesanal / Arraial do Cabo (RJ).

"O que mais gostei do Fórum foi ver a importância do projeto em cada comunidade tradicional e o trabalho coletivo acontecendo de forma organizada. Tivemos trocas e experiências muito importantes, e deu para perceber que muitas comunidades passam por conflitos e impactos parecidos. O melhor foi saber que unidos podemos conseguir soluções para resolver." 

Verônica Delfino - Marisqueira / Itapemirim (ES).

"A experiência que tive no fórum foi reconhecer que não estamos sós, que há outros em uma luta parecida com a do meu grupo, em espaços geográficos diferentes. O fórum nos ensina, nos orienta a dar passos e fortalece a nossa voz para avançar e alcançar nossos objetivos." 

Com metodologias da educação ambiental crítica, o projeto busca o fortalecimento e a autonomia dos grupos locais.  A realização do PEA Rede Observação é uma medida de mitigação exigida pelo   Licenciamento Ambiental Federal, conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para as atividades de produção e escoamento de petróleo e gás natural da PRIO.   

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