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Boletim do PMCST revela detalhes sobre as dinâmicas de trabalho da cadeia de petróleo e gás

Levantamento ouviu mais de 24 mil trabalhadores da indústria

23/10/2026 | Notícias
por: Vinicius Nunes

Levantamento ouviu mais de 24 mil trabalhadores da indústria

Está no ar o segundo boletim anual do Programa Macrorregional de Caracterização Socioespacial dos Trabalhadores (PMCST). Entre os objetivos do documento está apresentar os dados coletados sobre as dinâmicas de trabalho dos profissionais das atividades de produção e escoamento de petróleo e gás natural. O levantamento abrange temas que vão do perfil socioeconômico dos profissionais e dos modelos de contratação a questões como representatividade no local de trabalho e dinâmicas de deslocamento. 

Os resultados fazem parte da Pesquisa dos Trabalhadores da Indústria, conduzida pelas empresas operadoras com empreendimentos nas Bacias de Santos, de Campos e do Espírito Santo. 

Os dados foram coletados em 2024 e consolidados em 2025 pelo PMCST. Ao todo, a pesquisa ouviu 24.532 profissionais, o equivalente a cerca de 38% dos trabalhadores da indústria. 

O que mostra a pesquisa 

Entre os achados, o levantamento revelou a disparidade entre homens e mulheres no setor: as mulheres representaram apenas 16,7% dos respondentes. Entre os trabalhadores embarcados, a concentração masculina foi ainda mais expressiva, chegando a 94%. Já entre os profissionais em regime remoto (home office), observou-se maior equilíbrio, com 54% de homens e 46% de mulheres. 

Quanto aos vínculos contratuais, a pesquisa apontou o predomínio de trabalhadores terceirizados (63,9%) e uma parcela mínima de autônomos (0,8%). Os dados também mostraram que a maior parte dos profissionais atuava embarcada (62%). 

Segundo os pesquisadores, o predomínio de terceirizados indica que a cadeia produtiva de petróleo e gás mobiliza uma ampla rede de contratações indiretas. 

O levantamento também trouxe indicativos sobre a distribuição territorial dos trabalhadores. Entre os profissionais em terra da indústria offshore, a mão de obra estava concentrada no estado do Rio de Janeiro, sobretudo na capital. 

Dos participantes da pesquisa, 17,4% residiam na cidade do Rio de Janeiro. Em seguida, apareceram Macaé (11,0%), Campos dos Goytacazes (7,15%) e Rio das Ostras (4,96%), municípios do Norte Fluminense historicamente ligados às operações da Bacia de Campos. 

Dos dez municípios com maior presença de trabalhadores da indústria, seis estavam no litoral fluminense. Completaram a lista Santos (4,18%), Vitória (2,85%), Vila Velha (2,21%) e Serra (1,74%). 

Censo 2026

O Licenciamento Ambiental Federal, conduzido pelo Ibama, iniciou o Censo 2026, voltado para os trabalhadores das atividades de produção e escoamento de petróleo e gás natural offshore. O formulário, que já está disponível para preenchimento, busca construir um retrato coletivo dessa força de trabalho. A meta desta ação, por ser o primeiro levantamento com esse nível de alcance, é atingir o maior número possível de respostas para obter um panorama fiel à realidade dos profissionais da indústria.  

Estão convocados a participar todos os profissionais vinculados diretamente às operações, abrangendo trabalhadores próprios, parceiros terceirizados e autônomos. O escopo inclui tanto as equipes que atuam nas unidades de operação (plataformas) e embarcações, quanto os profissionais alocados nas bases administrativas e em projetos condicionantes de licenças ambientais. O mapeamento envolve a força de trabalho de operadoras como BRAVA, BW Energy, Equinor, Karoon, Perenco, Petrobras, PRIO, Shell, TotalEnergies e Trident Energy. Os trabalhadores devem responder ao formulário apenas uma vez em 2026.  

Para assegurar a adesão segura dos profissionais e sob o lema "Por trás de cada número, uma história. E cada história importa", a ação possui caráter estritamente estatístico, sendo o sigilo dos dados uma prioridade absoluta. As respostas são registradas de forma anônima, impedindo qualquer associação entre as informações fornecidas e documentos pessoais, e-mails ou números de telefone. O Censo cumpre rigorosamente os termos da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD - Lei nº 13.709/2018), garantindo segurança total no tratamento e armazenamento do conteúdo registrado.  

Sobre o PMCST 

O PMCST tem por objetivo caracterizar e monitorar as mudanças no trabalho associadas à cadeia de produção e escoamento de petróleo e gás natural, incluindo o perfil socioeconômico e as dinâmicas de deslocamento dos trabalhadores vinculados às atividades marítimas da indústria. 

O programa integra o licenciamento ambiental federal conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e é executado, como condicionante, pelas empresas com empreendimentos petrolíferos nas Bacias de Santos, de Campos e do Espírito Santo. 


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